Dá uma sensação de dormência. A sensação de que tudo se move e ao mesmo tempo permanece parado. E se há uma lição que aprendi, ou estou aprendendo, é que a sensação deste momento é algo válido. É válido sentir-se dormente. Para mim foi raiva, choque, negação, é válido. Ou só aquela sensação de não sentir nada, é válido também. É válido não ter respostas nem explicações e talvez nem ter palavras. Sabe o que ajuda? É que Jesus chorou.
Há uma história no Evangelho de João. Lázaro, um amigo de Jesus, morre e alguns dias depois, Jesus visita a aldeia de Lázaro. Todos os familiares e amigos dele estão lá, todos reunidos, e estão soluçando. Estão lamentando a perda. As irmãs de Lázaro até dizem a Jesus: “Se tivesse chegado antes, talvez isso não aconteceria.” E Jesus chega no meio dessa confusão enorme e diz... Bem, as Escrituras dizem que o espírito Dele se comove. Lá no fundo, Ele está conectado com toda essa confusão. E a Bíblia descreve com duas palavras, “Jesus chorou.” Ele sentiu toda a dor e a perda, e Ele entrou... Ele se deixou atingir pela força do momento. Você precisa ser atingido. Não pode evitar. Não pode evitar nossas reações a situações pensando que desaparecerão. Se guardarmos, ficará aqui dentro, em algum lugar. E um dia aflorará. Precisamos externalizar senão ficará trancado.
Talvez tenha perdido alguém e nunca lamentou adequadamente. Então ainda está aí escondido, está trancado aí dentro. Se o Filho de Deus externalizou, se “Jesus chorou”, “então devemos chorar também.” Há um antigo costume judaico que pratica isso de uma forma que achei profunda. Chama-se “Shiva Sentado”. Ao perder um ente querido, ou se conhece alguém que perdeu um ente querido. Você simplesmente senta, só isso, e não diz nada. Se ela quiser falar, então você fala. Se preferir o silêncio, então mantenha o silêncio.
Você e eu fazemos a escolha sobre o tipo de pessoa que somos e o tipo de pessoa que seremos. Temos a escolha de nos tornarmos amargos ou não. Há uma mulher na Bíblia chamada Naomi, que perdeu seu marido e seus filhos. E ela diz: “Não me chame mais de Naomi. Agora sou Mara”. E o nome “Mara” em hebraico significa “amarga”. Um homem chamado Jó nas Escrituras perde tudo o que tem: filhos, casas, posses, e sua esposa diz: “ Jó, ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe Deus e morra!” Ela fica consumida pelo amargor. E se não reconhecermos essa escolha, se um pouco de amargor entrar, tomará conta de tudo. Talvez tenha entrado há tempos, ou talvez tenha a sensação de culpa associada com:
“Se eu tivesse feito aquilo, nada teria acontecido. Se eu fosse diferente, se eu tivesse feito algo diferente.” E nos afogamos em culpa. E isso penetra, se torna parte de nós, e nem estamos cientes. Não, não deixe isso acontecer. Não deixe que aconteça. Há um salmo antigo onde o escritor fala com Deus, como em uma prece onde ele derrama a sua dor, dizendo:
“O Senhor me fez ver problemas. O Senhor me fez ver muitos problemas, muitos e amargos, mas me recuperará novamente.” (Sl 40.12-13)
É comum que uma perda, seja ela qual for, é fácil tornar importância central. É alguém que tinha e que perdeu. E há um enorme vazio no espaço que eles ocupavam, e só conseguimos pensar nisso, é que nossa vida enfoca o que não temos e esquecemos o que temos. Seu coração, meu coração... Eles se recuperarão. E nunca serão... Nossos corações nunca serão os mesmos, mas recuperará tudo.
Que você perceba que seus sentimentos são válidos ( que você escolha tornar-se aberto e não fechado) que Deus está “Shiva Sentando” com você, presente, lamentando a sua perda, mas também recuperando. E que dessa forma possamos ter esperança.
No amor de Jesus,
Tih - Tiago Nunes...

Parabéns...
muito bom o texto!
" se algo acontece é por que Deus tem um proposito para nós!"
tudo de boom!
bjs
Lely
Tiago..., sempre inspirado! E com o "dom" das palavras.
Continue escrevendo para inspirar outras pessoas...
Forte abraço
Marconde
Tiago..., sempre inspirado! E com o "dom" das palavras.
Continue escrevendo para inspirar outras pessoas...
Forte abraço
Marconde